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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Impasse da Paixão


Domingo, dia nacional do futebol e não podia ser diferente em Goiânia, cidade com tradição e três grandes clubes. Os torcedores se reúnem nos bares, em frente a grandes telões para acompanhar o time do coração e vibrar com os lances do jogo. Uma emoção que poderia ser muito mais intensa se vivida no local das partidas, os estádios, mas há um sentimento que domina os pensamentos dos torcedores, o medo da violência, de ter uma dor muito maior que a da derrota, um sofrimento físico.
Edson Mendonça é um dos muitos que preferem assistir os jogos em bares. “Eu deixo de ir ao estádio com medo da violência”, justifica. Ele tem 33 anos, já viveu muito em estádios acompanhando o time do coração, o Vila Nova. A violência, brigas de torcida e abusos policiais nunca o preocuparam, mas depois que teve seus filhos ele não pensou duas vezes, nunca mais assistiu a jogos nos estádios. Edson gostaria de ir, com toda a família, mas teme pela segurança de seus filhos. “Não vou levar meus filhos nos jogos enquanto tiver essa violência”, afirma.
As torcidas organizadas (T. O.) geralmente são o estopim para qualquer confusão nas arquibancadas dos jogos de futebol. O assessor de imprensa da Torcida Organizada Força Jovem (que reúne torcedores do Goiás Esporte Clube) desde sua fundação, Ademir Batista, não nega essa afirmação, mas afirma que as T. O. em geral não pregam em sua ideologia a violência contra torcedores de outras equipes ou agremiações.
Ademir ressalta que, por serem entidades de acesso público, podem se associar a elas qualquer pessoa que se interesse. Ele exemplifica com o caso da Força Jovem: “Nós lidamos com mais de nove mil integrantes, obviamente que há entre eles os que não querem somente torcer”. A rivalidade que existe em campo, toma proporções muito maiores na cabeça desses torcedores, que confundem esporte com violência e influenciam outros, formando assim gangues uniformizadas.

PM x T.O.?
Tentando dar mais segurança a quem freqüenta os estádios, a Policia Militar (PM) interfere nessa guerra particular entre torcidas organizadas. Em Goiânia, a PM se diz preparada para lidar com esse problema, mas quem freqüenta os estádios ainda se sente inseguro com o trabalho da corporação. “A polícia não tem preparo para lidar com o tumulto em massa, a única opção que resta é usar bombas para espantar os uniformizados”, diz Rafael Carvalho, também torcedor do Vila Nova.
O tenente-coronel Amarildo Menezes Guerra, comandante do 1º Batalhão da PM e coordenador das ações em jogos de futebol em Goiânia, considera que a força policial está sim muito bem preparada e que houveram avanços no combate à violência nos estádios. Guerra não conseguiu realmente encontrar defeitos no efetivo policial atuante em jogos de futebol.
Apesar da satisfação do Coronel Guerra, o público considera que a polícia não age com a agilidade necessária. Welliton Guimarães, torcedor do São Paulo, estava acompanhando Goiás e Vila Nova no Serra Dourada quando viu um homem sendo agredido por uniformizados. ”A policia não fez nada, logo chegaram mais para participar da briga, ai não tinha mais como controlar”, ressaltou.
Indiferente às reclamações de quem freqüenta os estádios, Coronel Guerra descreve o bom trabalho que a polícia vem fazendo. Ele reconhece entretanto que as diretorias da torcidas organizadas vem se esforçando para acabar com a violência interna. “As T. O.  têm se comprometido junto ao Ministério Público e a polícia com relação a passar dados dos integrantes e se adequar às normas de conduta dentro dos estádios”. Mas isso, segundo Guerra, somente aconteceu em resposta ao pedido de extinção das torcidas organizadas que foi protocolado pela PM junto com a policia civil. Ele afirma também que, seguindo as orientações da policia, talvez as T. O.  não precisem mais ser extintas.

Fim das T.O.s?
As críticas ao trabalho da policia e existência das T. O.  quase que se equiparam, mas para alguns torcedores a única solução é o fim das torcidas organizadas. Sandro Cabral, torcedor do Goiás, não vai mais ao Serra Dourada em jogos de expressão e considera que as torcidas são “gangues legalizadas” e que elas deveriam  ser “extintas a todo custo”. Sandro aplaude a ação da policia. “A violência da policia é necessária, eles fazem o trabalho deles bem feito”.
A PM considera seu trabalho com relação a segurança nos estádios perfeito e isso incomoda as torcidas organizadas. A posição arbitrária da polícia incomoda as torcidas, que sentem uma maior necessidade de serem ouvidas. Ademir Batista diz que acabar com as torcidas vai piorar a situação, porque hoje há um cadastro, uma forma de identificar os criminosos e os punir. “Alem disso nós contribuímos para a sociedade com vários projetos sociais”. Ele diz que a policia nada faz hoje para resolver o problema, que é mais cômodo para eles simplesmente acabar com as organizadas. “A PM age arbitrariamente, não ouve as organizadas”. Ademir considera que seria muito mais fácil se houvesse comunicação entre as partes.

Projetos Sociais:

Poucos conhecem o papel social das torcidas organizadas. Elas atuam muito na comunidade atendendo pessoas carentes. A torcida Força Jovem organiza todos os anos o projeto Criança Feliz, que visa atender menores incentivando atividades culturais e esportivas, pedindo doações de brinquedos e até oferecendo atendimento médico. Alem disso A Força Jovem e a Torcida Esquadrão Vilanovense (do Vila Nova Futebol Clube) organizam projetos para doação de sangue e festas para a comunidade. Todo esse trabalho é feito dentro dos setores de Goiânia e atendem a toda a comunidade.

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