Quem sou eu

Minha foto
Muito prazer! Ao seu dispor, se for por amor às causas perdidas!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Energia sustentável, a ambição do mundo


A busca pela sustentabilidade se tornou o tema das ultimas décadas, mas nem sempre ela é alcançada na prática.

As matrizes energéticas são as fontes de energia existentes, as formas de produzir energia. No mundo inteiro desde o inicio dos anos de 1990 vêm se discutindo com mais seriedade os efeitos negativos e positivos de cada um dos meios de produzir energia. Surgiram então os apelos pela utilização de fontes limpas e renováveis de energia, que causam menos danos ao meio ambiente. Quais são estas fontes alternativas e limpas? Seria viável e realmente não prejudicial ao meio ambiente produzir energia através destes meios? Seria realmente rentável mudar os meios de produção? Estes são alguns questionamentos que permeiam os responsáveis pela introdução deste novo jeito de produzir energia.

O Brasil é um bom exemplo para o mundo na utilização de energia. Foram introduzidas as fontes hidráulicas e a produção de biomassa (matéria prima para combustíveis como o etanol) antes até deste apelo mundial por materiais renováveis. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), até 2006, 45% da produção de energética do país era proveniente da Biomassa e das Hidrelétricas, quase metade de toda a matriz nacional. O Etanol brasileiro, combustível barato e mais limpo que o petróleo, é cobiçado pelos países desenvolvidos e a produção energética das hidrelétricas é até vendida a nações vizinhas. A energia solar também é utilizada e trás a médio/longo prazo grande economia ao país na geração e distribuição de eletricidade.

O estado de Goiás é um dos grandes produtores de cana-de-açúcar, principal matéria prima do Etanol. A economia goiana vem sendo afetada positivamente por esta condição. Por outro lado, este crescimento econômico trás consigo vários problemas sociais e ambientais. Proporcionados pela grande migração de trabalhadores de outros estados e as condições de trabalho dadas a estas pessoas. Também pelas queimadas e as grandes plantações de cana, que ocupam grandes espaços de terras.

Etanol

            O Etanol é considerado um combustível limpo e renovável. Sua matéria prima, a cana-de-açúcar, é cultivada em larga escala e é inesgotável, na medida em que pode ser colhida e em outra estação volta a crescer. Ao contrário do petróleo, que demora milhares de anos para ser reposto no meio ambiente e é muito caro para ser extraído solo. É muito bem visto por todas as nações, o combustível do momento. Atende a todas as requisições, desde seu custo até o fato de que reduz a emissão de Gás Carbônico (CO2) na atmosfera, gás venenoso e que é um dos causadores do aquecimento global.

A cana-de-açúcar é cultivada em larga escala no Brasil para ser usada na produção de Etanol, principalmente na região centro-sul. São Paulo e Goiás são os estados que mais se destacam. O Etanol brasileiro é barato, por isso é cobiçado pelos Estados Unidos, que fabricam este produto a base de milho, que é mais caro e necessita mais da mistura com a gasolina. Países como o Japão aprovaram a utilização de 3% de Etanol na mistura de combustíveis e se tornaram compradores em potencial produto brasileiro.

            O governo brasileiro fez um zoneamento da produção de cana-de-açúcar, onde mais de 80% do território ficou proibido de receber plantações, para preservar a natureza nativa de biomas como a Amazônia e Pantanal. Ficou definida também a utilização de pastagens ociosas. Alem da questão de onde plantar, o zoneamento estabeleceu o máximo de 150 hectares para inibir a monocultura. Em Goiás o cultivo de cana não pode chocar-se com o de soja e a pecuária e também foi demonstrada a preocupação com a preservação do cerrado.          

Medidas até foram tomadas, mas ainda ocorrem queimadas para liberar terrenos propensos ao cultivo. Atos que ferem a fauna e a flora das regiões. Nos estados de Goiás e São Paulo, maiores produtores atualmente e que ainda não possuem legislação específica, as queimadas ocorrem em grande escala, mas este fato está em tratamento pelo Ministério Publico dos respectivos estados.

A migração de trabalhadores do norte e nordeste para as plantações de cana no centro-sul é causa de vários problemas sociais. Estas pessoas, em sua maioria, são pobres e despreparados trabalhadores que, ao final da época de colheita acabam ficando sem renda e muitos se rendem ao crime. Os roubos e mortes nos municípios crescem descontroladamente. Este fato é causado também pela falta de infra-estrutura das cidades que, por conta dos migrantes, sofrem um aumento populacional para o qual não estão preparadas.

Ainda temos os abusos dos produtores de cana, que oferecem salários e condições de trabalho ruins aos trabalhadores. Segundo o sociólogo especialista em sociologia rural e ambiental, Fausto Miziara, a migração de pessoas para trabalhar na colheita de cana-de-açúcar não trará tantos problemas sociais no futuro. Os empregadores vêm tendo uma consciência política de que os compradores pelo mundo hoje buscam o politicamente correto. “Os produtores não irão usufruir de trabalho escravo, por exemplo, porque isso irá afetar os negócios e a venda”, afirmou Miziara.

Energia Hidrelétrica

            As usinas hidrelétricas produzem energia através da força das águas dos rios que movem mecanismos e estes mecanismos convertem a energia mecânica em elétrica. Não esgotam matérias primas, não poluem o meio ambiente e produzem energia em larga escala. Esta matriz energética não é muito desenvolvida no mundo, mas no Brasil é a principal fonte de energia. O país possui uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo, que produz 19% da energia elétrica utilizada pela população. Isso sem contar as várias hidrelétricas de pequeno porte espalhadas por todo o Brasil, que possui uma grande quantidade de rios.

            Apesar de não ser poluente, de produzir grande quantidade de energia e de não esgotar matérias primas do meio ambiente, as hidrelétricas também possuem seus pontos negativos. Para a construção de hidrelétricas, muitas vezes deve-se alagar grandes áreas aonde vivem animais e até mesmo pessoas, acabando também com a vegetação local. Animais e vegetação mortos e construções ficam no fundo dos lagos e se decompõem contaminando lençol freático.

            Falando de impactos sociais no Brasil, nas áreas que são alagadas, os moradores devem ser direcionados para novas localidades, mas as construtoras não disponibilizam estas novas localidades e muitas vezes os moradores ficam sem teto e nenhuma indenização. Existem pessoas que lutam por indenização desde a construção da usina de Itaipu, nos anos de 1980.

O que causa a maior parte dos impactos ambientais e sociais é a corrupção dos órgãos de fiscalização. O perito ambiental do Ministério Público de Goiás Rogério César explica que até 2004 a Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) leiloava o direito de explorar o potencial energético de certa localidade.  "O empreendedor já tinha pagado por aquele empreendimento, então ele iria fazer de tudo para que a licença daquele empreendimento fosse aprovada, por mais inviável que fosse", afirmou Rogério Cesar. Este sistema de leilões foi um grande problema no desenvolvimento das hidrelétricas, segundo o perito do ministério publico haviam vários empreendimentos inviáveis ambientalmente, mas que atropelavam os processos por já terem autorização do governo.


Energia Solar
           
            Falando sobre energia renovável e limpa, talvez não haja uma matriz energética tão perfeita quanto a energia solar. Ao retirar eletricidade para consumo através dos raios solares, o homem não causa efeito negativo algum na natureza e não libera produtos tóxicos ou contribui para o aquecimento global. No entanto, apesar de ser muito limpa e não prejudicial, a energia solar não é produzida em larga escala, e por isso não atende à demanda de uma grande cidade, por exemplo. Esta matriz é mais utilizada de forma doméstica. É muito cara para ser introduzida, mas possui pouca necessidade de manutenção e muita durabilidade.

No Brasil, a energia solar é muito usual, lugares inóspitos ou de difícil acesso são beneficiados com a introdução de equipamentos para que possam possuir energia elétrica. O engenheiro agrícola e membro da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (ANTAC), professor Regis Castro Ferreira, acrescenta que a geração de energia elétrica por meio de raios solares viabiliza a energização rural e inclusão social de regiões remotas como na Amazônia. “Como que vamos ligar a rede em uma vila ribeirinha na Amazônia a 2 mil km do centro urbano?”, afirma o Professor, demonstrando o quanto é menos trabalhoso para o governo levar energia para regiões de difícil acesso dessa forma.

Outra vantagem deste tipo de energia no Brasil é pura e simplesmente a localização geográfica do país, que fica em uma parte do globo em que incidem raios solares acima da média mundial. O que impede a implementação maior da energia solar é o imediatismo do mundo globalizado, que não vê vantagem na produção e desenvolvimento deste tipo de matriz simplesmente pelo fato de que o rendimento não é a curto e sim a médio longo prazo. Fatores que deixam à margem essa que talvez seja a melhor e mais segura forma de produzir energia descoberta pelo homem, e ainda, provém de uma fonte praticamente inesgotável, o Sol.

Segundo a Agência Internacional de energia, até 2006 o mundo usufruía em média de cerca de 10% da produção de energia proveniente de fontes renováveis, e o Brasil mais de 46% o que a principio é considerado bom. Porém, o professor Regis Castro alerta para o uso destes tipos de fontes que pode às vezes até ser mais prejudicial. “Devemos ter cuidado ao incentivar um tipo de matriz energética sem toda uma estrutura”, refletiu o Professor. Procurando ser mais otimista, Regis Castro deixa claro que proteger o meio ambiente vai muito alem do produto que se usa ou a fonte de energia disponível. Também depende se as nações vão possuir a estrutura necessária para mudar os hábitos sem causar o mesmo efeito e prejudicar o meio ambiente no processo.   

Nenhum comentário: