A busca pela
sustentabilidade se tornou o tema das ultimas décadas, mas nem sempre ela é
alcançada na prática.
As matrizes energéticas são as fontes de
energia existentes, as formas de produzir energia. No mundo inteiro desde o
inicio dos anos de 1990 vêm se discutindo com mais seriedade os efeitos
negativos e positivos de cada um dos meios de produzir energia. Surgiram então os
apelos pela utilização de fontes limpas e renováveis de energia, que causam
menos danos ao meio ambiente. Quais são estas fontes alternativas e limpas?
Seria viável e realmente não prejudicial ao meio ambiente produzir energia
através destes meios? Seria realmente rentável mudar os meios de produção?
Estes são alguns questionamentos que permeiam os responsáveis pela introdução
deste novo jeito de produzir energia.
O Brasil é um bom exemplo para o mundo na
utilização de energia. Foram introduzidas as fontes hidráulicas e a produção de
biomassa (matéria prima para combustíveis como o etanol) antes até deste apelo
mundial por materiais renováveis. Segundo a Agência Internacional de Energia
(IEA), até 2006, 45% da produção de energética do país era proveniente da
Biomassa e das Hidrelétricas, quase metade de toda a matriz nacional. O Etanol
brasileiro, combustível barato e mais limpo que o petróleo, é cobiçado pelos
países desenvolvidos e a produção energética das hidrelétricas é até vendida a nações
vizinhas. A energia solar também é utilizada e trás a médio/longo prazo grande
economia ao país na geração e distribuição de eletricidade.
O estado de Goiás é um dos grandes produtores
de cana-de-açúcar, principal matéria prima do Etanol. A economia goiana vem
sendo afetada positivamente por esta condição. Por outro lado, este crescimento
econômico trás consigo vários problemas sociais e ambientais. Proporcionados
pela grande migração de trabalhadores de outros estados e as condições de
trabalho dadas a estas pessoas. Também pelas queimadas e as grandes plantações
de cana, que ocupam grandes espaços de terras.
Etanol
O Etanol é considerado um combustível
limpo e renovável. Sua matéria prima, a cana-de-açúcar, é cultivada em larga
escala e é inesgotável, na medida em que pode ser colhida e em outra estação
volta a crescer. Ao contrário do petróleo, que demora milhares de anos para ser
reposto no meio ambiente e é muito caro para ser extraído solo. É muito bem
visto por todas as nações, o combustível do momento. Atende a todas as
requisições, desde seu custo até o fato de que reduz a emissão de Gás Carbônico
(CO2) na atmosfera, gás venenoso e que é um dos causadores do aquecimento
global.
A cana-de-açúcar é cultivada em larga escala no
Brasil para ser usada na produção de Etanol, principalmente na região
centro-sul. São Paulo e Goiás são os estados que mais se destacam. O Etanol
brasileiro é barato, por isso é cobiçado pelos Estados Unidos, que fabricam
este produto a base de milho, que é mais caro e necessita mais da mistura com a
gasolina. Países como o Japão aprovaram a utilização de 3% de Etanol na mistura
de combustíveis e se tornaram compradores em potencial produto brasileiro.
O governo
brasileiro fez um zoneamento da produção de cana-de-açúcar, onde mais de 80% do
território ficou proibido de receber plantações, para preservar a natureza
nativa de biomas como a Amazônia e Pantanal. Ficou definida também a utilização
de pastagens ociosas. Alem da questão de onde plantar, o zoneamento estabeleceu
o máximo de 150
hectares para inibir a monocultura. Em Goiás o cultivo
de cana não pode chocar-se com o de soja e a pecuária e também foi demonstrada
a preocupação com a preservação do cerrado.
Medidas até foram tomadas, mas ainda ocorrem
queimadas para liberar terrenos propensos ao cultivo. Atos que ferem a fauna e
a flora das regiões. Nos estados de Goiás e São Paulo, maiores produtores
atualmente e que ainda não possuem legislação específica, as queimadas ocorrem
em grande escala, mas este fato está em tratamento pelo Ministério Publico dos
respectivos estados.
A migração de trabalhadores do norte e nordeste
para as plantações de cana no centro-sul é causa de vários problemas sociais.
Estas pessoas, em sua maioria, são pobres e despreparados trabalhadores que, ao
final da época de colheita acabam ficando sem renda e muitos se rendem ao
crime. Os roubos e mortes nos municípios crescem descontroladamente. Este fato
é causado também pela falta de infra-estrutura das cidades que, por conta dos
migrantes, sofrem um aumento populacional para o qual não estão preparadas.
Ainda temos os abusos dos produtores de cana,
que oferecem salários e condições de trabalho ruins aos trabalhadores. Segundo
o sociólogo especialista em sociologia rural e ambiental, Fausto Miziara, a
migração de pessoas para trabalhar na colheita de cana-de-açúcar não trará
tantos problemas sociais no futuro. Os empregadores vêm tendo uma consciência
política de que os compradores pelo mundo hoje buscam o politicamente correto.
“Os produtores não irão usufruir de trabalho escravo, por exemplo, porque isso
irá afetar os negócios e a venda”, afirmou Miziara.
Energia
Hidrelétrica
As usinas
hidrelétricas produzem energia através da força das águas dos rios que movem
mecanismos e estes mecanismos convertem a energia mecânica em elétrica. Não
esgotam matérias primas, não poluem o meio ambiente e produzem energia em larga
escala. Esta matriz energética não é muito desenvolvida no mundo, mas no Brasil
é a principal fonte de energia. O país possui uma das maiores usinas
hidrelétricas do mundo, que produz 19% da energia elétrica utilizada pela
população. Isso sem contar as várias hidrelétricas de pequeno porte espalhadas
por todo o Brasil, que possui uma grande quantidade de rios.
Apesar de
não ser poluente, de produzir grande quantidade de energia e de não esgotar matérias
primas do meio ambiente, as hidrelétricas também possuem seus pontos negativos.
Para a construção de hidrelétricas, muitas vezes deve-se alagar grandes áreas
aonde vivem animais e até mesmo pessoas, acabando também com a vegetação local.
Animais e vegetação mortos e construções ficam no fundo dos lagos e se
decompõem contaminando lençol freático.
Falando de
impactos sociais no Brasil, nas áreas que são alagadas, os moradores devem ser
direcionados para novas localidades, mas as construtoras não disponibilizam
estas novas localidades e muitas vezes os moradores ficam sem teto e nenhuma
indenização. Existem pessoas que lutam por indenização desde a construção da
usina de Itaipu, nos anos de 1980.
O que causa a maior parte dos impactos
ambientais e sociais é a corrupção dos órgãos de fiscalização. O perito
ambiental do Ministério Público de Goiás Rogério César explica que até 2004 a Agencia Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL) leiloava o direito de explorar o potencial energético
de certa localidade. "O
empreendedor já tinha pagado por aquele empreendimento, então ele iria fazer de
tudo para que a licença daquele empreendimento fosse aprovada, por mais
inviável que fosse", afirmou Rogério Cesar. Este sistema de leilões foi um
grande problema no desenvolvimento das hidrelétricas, segundo o perito do
ministério publico haviam vários empreendimentos inviáveis ambientalmente, mas
que atropelavam os processos por já terem autorização do governo.
Energia Solar
Falando
sobre energia renovável e limpa, talvez não haja uma matriz energética tão
perfeita quanto a energia solar. Ao retirar eletricidade para consumo através
dos raios solares, o homem não causa efeito negativo algum na natureza e não
libera produtos tóxicos ou contribui para o aquecimento global. No entanto,
apesar de ser muito limpa e não prejudicial, a energia solar não é produzida em
larga escala, e por isso não atende à demanda de uma grande cidade, por exemplo.
Esta matriz é mais utilizada de forma doméstica. É muito cara para ser
introduzida, mas possui pouca necessidade de manutenção e muita durabilidade.
No Brasil, a energia solar é muito usual,
lugares inóspitos ou de difícil acesso são beneficiados com a introdução de
equipamentos para que possam possuir energia elétrica. O engenheiro agrícola e
membro da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (ANTAC),
professor Regis Castro Ferreira, acrescenta que a geração de energia elétrica
por meio de raios solares viabiliza a energização rural e inclusão social de
regiões remotas como na Amazônia. “Como que vamos ligar a rede em uma vila ribeirinha
na Amazônia a 2 mil km do centro urbano?”, afirma o Professor, demonstrando o
quanto é menos trabalhoso para o governo levar energia para regiões de difícil
acesso dessa forma.
Outra vantagem deste tipo de energia no Brasil
é pura e simplesmente a localização geográfica do país, que fica em uma parte
do globo em que incidem raios solares acima da média mundial. O que impede a
implementação maior da energia solar é o imediatismo do mundo globalizado, que
não vê vantagem na produção e desenvolvimento deste tipo de matriz simplesmente
pelo fato de que o rendimento não é a curto e sim a médio longo prazo. Fatores
que deixam à margem essa que talvez seja a melhor e mais segura forma de produzir
energia descoberta pelo homem, e ainda, provém de uma fonte praticamente
inesgotável, o Sol.
Segundo a Agência Internacional de energia, até
2006 o mundo usufruía em média de cerca de 10% da produção de energia
proveniente de fontes renováveis, e o Brasil mais de 46% o que a principio é
considerado bom. Porém, o professor Regis Castro alerta para o uso destes tipos
de fontes que pode às vezes até ser mais prejudicial. “Devemos ter cuidado ao
incentivar um tipo de matriz energética sem toda uma estrutura”, refletiu o
Professor. Procurando ser mais otimista, Regis Castro deixa claro que proteger
o meio ambiente vai muito alem do produto que se usa ou a fonte de energia
disponível. Também depende se as nações vão possuir a estrutura necessária para
mudar os hábitos sem causar o mesmo efeito e prejudicar o meio ambiente no
processo.