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Muito prazer! Ao seu dispor, se for por amor às causas perdidas!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Bolero

Eu fui sincero como não se pode ser
Contei-te meus segredos, meus medos
Busquei compreensão, perdi meu poder
Fiquei frágil, revelei meus sentimentos

Busquei a mesma confiança
Desesperado por sua aceitação
Almejando uma aliança
E recebi nada mais que educação

Um vinho barato, um Marlboro vermelho
Ajudam a esconder-me de mim mesmo
Mas a mascara e o rosto trocam de lugar
Quando vejo minha cara embriagada no espelho do banheiro

E hoje você chega e me chama
Impede-me de deixar seu labirinto
Seu olhar sempre distante sempre me engana
E acabo voltando sempre ao mesmo lugar

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Miguel


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Mais um dia começa na vida de Miguel. Miguel aqui, Miguel lá. Ele está em todo lugar. Ao sair da cama pela manhã e se olhar no espelho do banheiro, Miguel ainda não está bem acordado, na verdade ele continua acanhado. Só no caminho de casa rumo à faculdade que Miguel começa a despertar. Quando está fumando e tomando o primeiro cafezinho com os colegas, Miguel finalmente se manifesta. Com o olhar em direção ao nada ele conta sobre a caçada do fim de semana. Aquela que sempre dá frutos (pelo menos para ele). Miguel demonstra muito orgulho, acaba nem se preocupando com as caras incrédulas de seus amigos. Na verdade, isso o deixa mais que satisfeito, pois acredita que eles estão só espantados.

Depois, mais tarde, estão Miguel e seus amigos na sala de aula, muito interessados na palestra sobre os efeitos maléficos que o cigarro causa às pessoas que o consomem. Eventualmente sentem a necessidade de dar uma pausa para fumar. Miguel, estranhamente, dessa vez preferiu ficar em sala ouvindo a palestra inteira. Ao terminarem de fumar e comentar sobre instrumentos musicais e suas versatilidades melodiosas, os amigos de Miguel voltam à sala.

Eles chegam justamente no momento dos questionamentos. Miguel, que até então estava calado, se manifesta: “Bom, eu acho bem interessante quando você (palestrante) diz que o cigarro causa câncer de pulmão, porque câncer é muito ruim e sem pulmão a gente não consegue respirar! Também é muito interessante falar que ele mata! Concordo que pessoas que fumam não prejudicam só a si mesmas, como todos à sua volta. Fico muito irritado, diria até perturbado quando fumam perto de mim, porque eu odeio cigarro, nunca fumei na minha vida!”. Quando Miguel termina, o palestrante continua seu discurso de forma bem indiferente, mas Miguel não se importa, acredita que já conseguiu seu conceito A. Miguel se vira para um de seus colegas e fala: “Me arranja um cigarro, não agüento mais essa aula.”. Pega o cigarro e sai da sala.

Miguel odeia sua jornada de trabalho. Todas as tardes ele fica preso em seu escritório lembrando-se de Descartes. Trabalhando sua alma racional. Mais a noite, Miguel se encontra novamente com seus amigos de faculdade. Alguns deles estão com suas namoradas, outros com seus maços de cigarros e trocadilhos baratos. Miguel parece desconfortável. Estranhamente, nenhuma de suas estórias ele conta mais, pelo menos não da forma como queria, parece aflito, inseguro. Parece que Miguel prefere a companhia de um maço de cigarros. Parece que Miguel só pode ser Miguel longe do cozumel.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lembranças do Imortal


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Passam-se os anos e continuo só
Alego que prefiro
Mas na verdade é um martírio
Sofro por não arriscar
E não arrisco por medo de sofrer
Porque sei que vou amar
E sei que vou perder
Vivo na segurança de não viver
Sobrando então e somente
A única prova de minha humanidade esquecida
O sentimento de não ter sentimentos
E assim
Continuo vivendo sem viver...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mundo Mudando Você - Você Mudando Mundo

E você que tem ideias tão modernas? É aquele mesmo homem que vivia nas cavernas. O que aconteceu meu caro? Percebeu que viver sem viver é não viver? Pois é meu amigo, parabéns, agora está pronto para enfrentar o mundo da melhor forma. Agora, você consegue enxergar todas as possibilidades, os caminhos que pode traçar nesta infinita highway, que vai alem das experiências físicas e adentra o universo desconhecido de nós mesmos, nossa mente.

E a sua mente funciona a mil desde sempre,
ideias que não se adequam ao que vemos hoje. Isso sempre foi um transtorno e não sabendo o caminho para expor seus pensamentos sem ofender as pessoas e o mundo ao seu redor, você tentou convencer mostrando-se capaz e eficiente em suas tarefas, todas que fossem designadas, achou que assim teria credibilidade. Não conseguiu a tão desejada credibilidade, pois na busca por ser eficiente, na busca da perfeição, você ficou frio e preocupado, afastou a todos que tinham interesse pelos seus pensamentos e também os que tentavam se aproximar. Com estas ações, meu amigo, você levou aos seus relacionamentos sociais um comportamento e atitudes totalmente fora dos padrões. Apesar de perceber o que acontecia, você não tinha maturidade ou interesse para mudar. Por isso eu afirmo que se soubesse antes o que sabe agora, você erraria tudo exatamente igual, por isso, não se sinta mal nem se irrite com o que você era ou com o que eu digo.

Você buscava agir de forma singular. Buscava ir contra o que não concordava e achava falso, quebrava regras de comportamento na forma de agir em sociedade, de tratar as pessoas. Talvez achasse interessante a
reação de cada uma delas, forçá-las até o limite para que mostrassem seus verdadeiros rostos. Hoje você percebe que não há porque fazer isso, todos nós possuímos nossas máscaras e é saudável usar elas para se adequar a cada lugar ou situação em busca de uma certa civilidade. Claro que, como você é, sabe muito bem que essas máscaras somente nos adequam a sociedade, mas não nos definem nem nos transformam. Podemos e devemos deixar-nos expostos, mostrar o que pensamos. Difícil é saber a hora de tomarmos essa atitude, pois é na hora que tudo está exposto que a mascara e o rosto trocam de lugar e é nessa hora, que podemos ofender e machucar quem amamos, mas também é nessa hora que podemos fazer a diferença.

Sim, eu sei que está assustado, talvez até chateado, por eu perceber tanto em você, mas não se preocupe, só consigo enxergar nos outros o que possuo em mim mesmo. Eu
compartilho de sua ânsia por ser diferente, por agir diferente, e passei por estas mesmas situações durante a minha vida. Não se preocupe. você aprendeu com a vida e, assim como eu, vai achar seu caminho. Você agora está bem, consegue ser feliz e se entregar aos desafios e às suas vontades, sem medo das conseqüências. Relaxe, junte seus amigos e sua companheira, aqueles que te aceitam como é e que acompanharam suas mudanças. Junte-os e vá em frente, se adapte ao mundo em que nasceu, mas não perca o amor às causas perdidas porque com calma e delicadeza você poderá convencer quem quiser dos seus conceitos e formas de ver o mundo. E talvez, um dia, ninguém necessite mais de máscaras. Só vale a pena ir em frente, meu amigo, se for por amor às causas perdidas. Por amor às causas perdidas.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Breve


A vida voa
Anos passam
Sonhos cessam
A morte à proa

Rico é meu definhar
Pois conquistei nesse mundo a maior das aspirações
A de uma paixão despertar

Deixo-te, minha amada
Que por mim se encantou
Em sua vida memórias minhas guardou
E do meu espírito foi a relaxante pousada

Conquistei do homem a maior das pretensões
Meu nome na sua história pude marcar
Agora que vou, te deixo com nossas recordações

domingo, 13 de setembro de 2009

Drogas da Democracia

As drogas da democracia? O preconceito, a hipocrisia, o egoísmo do ser humano. Existem muitas drogas ilícitas e lícitas, o que faz das lícitas menos prejudiciais é somente o fato de serem aceitas. Hipócrita é aquele senhor que enche a cara depois do serviço para fugir dos problemas do cotidiano, mas ao mesmo tempo condena o outro que faz o mesmo fumando maconha. Diz que quem fuma maconha, fuma para fugir da realidade, mascarar os problemas, mas no fim esse é o motivo que ele tem para beber. Bebe para descontrair, desinibir, para relaxar. Fuma para descontrair, desinibir, para relaxar. Qual a diferença? Uma é lícita, outra ilícita.

Esse julgamento pessoal é influencia de uma realidade hoje incontrolável, o crime organizado é movimentado pelas drogas ilícitas, o desenvolvimento comercial das drogas é enorme, sendo o carro chefe deste comércio a maconha. Como controlar isso? Legalizando. Permitindo às pessoas poderem utilizar-se desta droga da mesma forma como utilizam o cigarro e a cerveja. Legalizando, o controle sobre o comércio e os usuários será muito mais fácil, o dinheiro do comércio não irá para o crime, mas sim para campanhas educacionais como por exemplo é feito com o cigarro, o que por sinal tem funcionado e muito no combate ao fumo.

Claro que este tipo de liberação tem que ser feita aos poucos e de uma forma controlada, libere primeiramente o consumo em casa e a comercialização de uma forma restrita e controlada, depois se pode criar áreas de convivência direcionadas a essas pessoas, de uma forma que haja respeito com a opção das outras pessoas de não consumir estes produtos, assim como deveria ser feito, e está sendo agora, com o cigarro.

Podem dizer que liberar a maconha é um passo para a liberação da cocaína, heroína, crack e outras, mas estas drogas estão em outro patamar, elas, em pouca quantidade, causam efeitos alucinógenos rápidos, agressivos e nocivos, tanto física como emocionalmente na maioria absoluta que consome. Ao contrario da maconha e o álcool, aonde a maioria absoluta não desenvolve uma dependência e, em níveis razoáveis, a mantém-se o controle emocional, Claro que os excessos existem, mas no caso das drogas “pesadas” o mínimo já é um excesso.

A maconha é o principal produto comercializado pelo crime organizado, e a grande maioria dos que passam para as drogas pesadas passaram pela maconha, assim como passaram pelo álcool e o cigarro, mas a grande maioria dos que consomem maconha nunca experimentou estas drogas e partiu para dependência.

Liberar o consumo da maconha é um passo na luta contra o crime organizado, utilizando todo o potencial econômico deste produto e, ao mesmo tempo um passo na luta pela conscientização da população sobre os efeitos deste produto. Porque traz a tona um debate mais aberto e com mais informações, muito alem de “não fume porque é ilegal” ou “não fume porque faz mal”, pois hoje, estes são os argumentos utilizados até mesmo na mídia para impedir o consumo. Devemos prosseguir como está sendo feito e com muito sucesso com o cigarro, conscientizando os usuários com campanhas publicitárias e ações públicas com o dinheiro dos impostos pagos pelas próprias pessoas que lucram com este comércio.

domingo, 30 de novembro de 2008

Rotina

Durante a semana sempre se ocupa com o trabalho e os estudos, isso o impede de refletir sobre a banalidade da vida. Aos sábados, procura coisas para fazer, para esquecer o cansaço da semana. Já aos domingos, dias de ir a igreja, de almoçar com a família, de alimentar a falsidade do mundo, ele simplesmente se sente deslocado.

A família vai a igreja, todos unidos. Ele não quer estar lá, foi obrigado por sua mãe, que alimenta o sonho da família perfeita. Depois do culto,sempre há um almoço na casa dos avós, junto com tios e primos. A avó odeia que ele use brinco, ela é conservadora. Os primos são mimados, por que os pais deles, para evitar a relação conflituosa de pais e filhos, simplesmente fazem tudo que os meninos pedem. Não discute com a avó, é falta de educação. Enoja seus primos, mas tem que abraçá-los e mostrar os dentes para tirar uma foto em família, o que agrada e muito sua mãe.

Chega em casa depois do almoço, tendo que estudar para o exame de segunda-feira, mas sua mãe está cansada e o obriga a fazer os serviços domésticos, o que não o incomoda, afinal, quem quer notas boas no colégio é ela mesmo e não tem futebol na televisão esse fim de semana.

Seu pai se aproxima e tenta ter uma conversa agradável sobre como foi a semana, tenta conhecê-lo, coisa que o velho não pode fazer nos outros dias, pois fica ocupado trabalhando para sustentar a família. Mas como o chefe da casa está estressado, preocupado com a próxima semana estafante de trabalho, não consegue se ater às histórias do filho, que sente o desinteresse de seu pai, o que para ele só confirma a mediocridade da sua vida.

Após a interessante conversa com seu pai, ele vai para seu quarto, deita em sua cama e começa a refletir, como é de praxe no domingo, refletir sobre a banalidade de sua vida. Tenta procurar na memória algum fato da semana que passou que mereça ser recordado para o resto da vida, alguma pessoa que ele tenha marcado positivamente com sua presença, e vice versa. Algo que realmente vá fazer diferença na vida dele. Mais uma vez ele chega à conclusão de que a vida não tem sentido, é somente uma seqüência de eventos que se repetem dia após dia, semana após semana, uma rotina sem fim.

Mesmo assim ele não desiste, sempre coloca em seus pensamentos a vontade de quebrar essa rotina, de ser diferente, deixar a sua marca. O que o impede de agir? Sua covardia. Ele pensa em mudar, mas tem medo, tem medo de enfrentar um futuro que ele desconhece, imprevisível, que com certeza trará mais emoções para sua vida, emoções muitas vezes desconhecidas e fortes. Esse medo o frustra e essa frustração o irá acompanhar durante todos os dias de sua vida, pois ele nunca perderá esse medo, que é o que o define, ele é o que é, ele pensa o que pensa, faz o que faz, graças aos seus medos e frustrações. Sem eles, estaria perdido em sua loucura, em um mundo que ele não entende e não se adapta.