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domingo, 13 de setembro de 2009

Drogas da Democracia

As drogas da democracia? O preconceito, a hipocrisia, o egoísmo do ser humano. Existem muitas drogas ilícitas e lícitas, o que faz das lícitas menos prejudiciais é somente o fato de serem aceitas. Hipócrita é aquele senhor que enche a cara depois do serviço para fugir dos problemas do cotidiano, mas ao mesmo tempo condena o outro que faz o mesmo fumando maconha. Diz que quem fuma maconha, fuma para fugir da realidade, mascarar os problemas, mas no fim esse é o motivo que ele tem para beber. Bebe para descontrair, desinibir, para relaxar. Fuma para descontrair, desinibir, para relaxar. Qual a diferença? Uma é lícita, outra ilícita.

Esse julgamento pessoal é influencia de uma realidade hoje incontrolável, o crime organizado é movimentado pelas drogas ilícitas, o desenvolvimento comercial das drogas é enorme, sendo o carro chefe deste comércio a maconha. Como controlar isso? Legalizando. Permitindo às pessoas poderem utilizar-se desta droga da mesma forma como utilizam o cigarro e a cerveja. Legalizando, o controle sobre o comércio e os usuários será muito mais fácil, o dinheiro do comércio não irá para o crime, mas sim para campanhas educacionais como por exemplo é feito com o cigarro, o que por sinal tem funcionado e muito no combate ao fumo.

Claro que este tipo de liberação tem que ser feita aos poucos e de uma forma controlada, libere primeiramente o consumo em casa e a comercialização de uma forma restrita e controlada, depois se pode criar áreas de convivência direcionadas a essas pessoas, de uma forma que haja respeito com a opção das outras pessoas de não consumir estes produtos, assim como deveria ser feito, e está sendo agora, com o cigarro.

Podem dizer que liberar a maconha é um passo para a liberação da cocaína, heroína, crack e outras, mas estas drogas estão em outro patamar, elas, em pouca quantidade, causam efeitos alucinógenos rápidos, agressivos e nocivos, tanto física como emocionalmente na maioria absoluta que consome. Ao contrario da maconha e o álcool, aonde a maioria absoluta não desenvolve uma dependência e, em níveis razoáveis, a mantém-se o controle emocional, Claro que os excessos existem, mas no caso das drogas “pesadas” o mínimo já é um excesso.

A maconha é o principal produto comercializado pelo crime organizado, e a grande maioria dos que passam para as drogas pesadas passaram pela maconha, assim como passaram pelo álcool e o cigarro, mas a grande maioria dos que consomem maconha nunca experimentou estas drogas e partiu para dependência.

Liberar o consumo da maconha é um passo na luta contra o crime organizado, utilizando todo o potencial econômico deste produto e, ao mesmo tempo um passo na luta pela conscientização da população sobre os efeitos deste produto. Porque traz a tona um debate mais aberto e com mais informações, muito alem de “não fume porque é ilegal” ou “não fume porque faz mal”, pois hoje, estes são os argumentos utilizados até mesmo na mídia para impedir o consumo. Devemos prosseguir como está sendo feito e com muito sucesso com o cigarro, conscientizando os usuários com campanhas publicitárias e ações públicas com o dinheiro dos impostos pagos pelas próprias pessoas que lucram com este comércio.

domingo, 30 de novembro de 2008

Rotina

Durante a semana sempre se ocupa com o trabalho e os estudos, isso o impede de refletir sobre a banalidade da vida. Aos sábados, procura coisas para fazer, para esquecer o cansaço da semana. Já aos domingos, dias de ir a igreja, de almoçar com a família, de alimentar a falsidade do mundo, ele simplesmente se sente deslocado.

A família vai a igreja, todos unidos. Ele não quer estar lá, foi obrigado por sua mãe, que alimenta o sonho da família perfeita. Depois do culto,sempre há um almoço na casa dos avós, junto com tios e primos. A avó odeia que ele use brinco, ela é conservadora. Os primos são mimados, por que os pais deles, para evitar a relação conflituosa de pais e filhos, simplesmente fazem tudo que os meninos pedem. Não discute com a avó, é falta de educação. Enoja seus primos, mas tem que abraçá-los e mostrar os dentes para tirar uma foto em família, o que agrada e muito sua mãe.

Chega em casa depois do almoço, tendo que estudar para o exame de segunda-feira, mas sua mãe está cansada e o obriga a fazer os serviços domésticos, o que não o incomoda, afinal, quem quer notas boas no colégio é ela mesmo e não tem futebol na televisão esse fim de semana.

Seu pai se aproxima e tenta ter uma conversa agradável sobre como foi a semana, tenta conhecê-lo, coisa que o velho não pode fazer nos outros dias, pois fica ocupado trabalhando para sustentar a família. Mas como o chefe da casa está estressado, preocupado com a próxima semana estafante de trabalho, não consegue se ater às histórias do filho, que sente o desinteresse de seu pai, o que para ele só confirma a mediocridade da sua vida.

Após a interessante conversa com seu pai, ele vai para seu quarto, deita em sua cama e começa a refletir, como é de praxe no domingo, refletir sobre a banalidade de sua vida. Tenta procurar na memória algum fato da semana que passou que mereça ser recordado para o resto da vida, alguma pessoa que ele tenha marcado positivamente com sua presença, e vice versa. Algo que realmente vá fazer diferença na vida dele. Mais uma vez ele chega à conclusão de que a vida não tem sentido, é somente uma seqüência de eventos que se repetem dia após dia, semana após semana, uma rotina sem fim.

Mesmo assim ele não desiste, sempre coloca em seus pensamentos a vontade de quebrar essa rotina, de ser diferente, deixar a sua marca. O que o impede de agir? Sua covardia. Ele pensa em mudar, mas tem medo, tem medo de enfrentar um futuro que ele desconhece, imprevisível, que com certeza trará mais emoções para sua vida, emoções muitas vezes desconhecidas e fortes. Esse medo o frustra e essa frustração o irá acompanhar durante todos os dias de sua vida, pois ele nunca perderá esse medo, que é o que o define, ele é o que é, ele pensa o que pensa, faz o que faz, graças aos seus medos e frustrações. Sem eles, estaria perdido em sua loucura, em um mundo que ele não entende e não se adapta.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Ele...

Ele acorda de manhã sempre cansado, não dormiu direito, sente uma tristeza mas não sabe de onde vem, começa sua rotina e fica o dia inteira pensando no valor de sua vida, se ela tem mesmo algum valor. Vive rodeado de pessoas, mas tem certeza que nenhuma delas o considera realmente um amigo. Todos o aceitam, mas todos o rejeitam, não preferem sua companhia, não gostam de seu papo, não se aproximam, mas quando ele se aproxima, aceitam sua presença porque sabem que ele vai se portar bem, não vai os envergonhar, mas dificilmente vai se misturar.

Ele se sente deslocado no mundo, se sente péssimo, o pior homem que existe, sempre ouvindo críticas, nunca ouvindo elogios, sua auto estima sempre baixa, o que só aumenta mais e mais a sua tímidez perante o mundo, ele sente uma necessidade de ser notado, mas tem medo de fazer o que é preciso para que isso aconteça e por isso vive preso em seu mundo, se sociabilizando sempre, mas nunca se aproximando.Não sabe como se expressar e acaba mal compreendido, afastando mais uma vez as pessoas ao redor e fazendo com que elas tenham uma impressão errada dele. Tem um senso meio distorcido de justiça e uma certa paranóia o que faz com que ele sinta a necessidade de lutar pela sua "justiça" a qualquer momento, contra qualquer pessoa, muitas vezes sem nenhuma necessidade e em horas totalmente inoportunas, o que gera a enorme antipatia e indiferença que as pessoas sentem por ele. 

Ele sabe que é assim, tenta mudar, mas não consegue, e isso cresce nele cada vez mais, afastando cada vez mais as pessoas próximas. Não faz por mal, tudo que faz é justificado em seu "senso de justiça", mas sua "justiça" não é justificada no mundo e por saber disso, ele se policia a todo momento, tentando mudar o seu jeito de ser só que em seu interior ele não vê nada de mal nisso e acaba repetindo seus "erros" sempre, da mesma forma, afastando mais uma vez quem o ama e caminhando rumo a solidão. Sofre e se cansa nessa fiscalização diária de si próprio, mas como é sozinho em seus sentimentos, ninguém percebe, o que só aprofunda esse sofrimento, que cresce cada vez mais, assim como a sensação de que sua vida não vale nada.

Ele não desiste, quer se tornar uma pessoa melhor em seus atos, pois em seus pensamentos é bom e amável, mas em seus atos e expressões é agressivo, com uma forma incompreendida de revelar seus sentimentos, por isso continua na luta diária para se policiar e aos poucos mudar e se tornar agradável às pessoas, sonhando com o dia em que elas verão nele verdadeiramente um amigo, alguém para se confiar, alguém para se conviver, alguém para se amar...