Quem sou eu

Minha foto
Muito prazer! Ao seu dispor, se for por amor às causas perdidas!

domingo, 7 de novembro de 2010

30 horas

São seis da manhã. Acordo, mais um dia se inicia. Preparo um café bem forte e como um pão amanhecido. Escovo os dentes. Tomo um banho, me visto. Já são sete horas, estou atrasado. Não deveria perder tanto tempo pensando naquela modelo gostosa do Pará. Chego ao trabalho e começo a revisar os depoimentos sobre a vida dura das prostitutas do DER-GO. Simpáticas, aquelas mulheres. Disse que eu precisava passar pelas experiências que seus clientes passavam para, como bom jornalista, mostrar os dois lados da história e só tive que pagar umas Schins para elas. O trabalho tem seu lado positivo afinal.

Meu editor-chefe está me enchendo o saco. Ele não quer esse tipo de reportagem no nosso jornal, diz que é um jornal de família. Eu digo para ele, mas ele não acredita: puta tem família, olha o tanto de filho da puta no mundo! Já entendi, ele não quer que eu invada a privacidade da mãe dele. Bom, eu já revisei os depoimentos, as mulheres falam sobre o ganha pão delas. Ganham pão distribuindo roscas. Estranho... A maioria sofreu abusos na infância, outras desistiram de procurar emprego. Há aquelas que escolheram a profissão porque gostam mesmo. Estão torcendo para encontrar algum otário rico que se apaixone por elas.

Termino a reportagem. Faço algumas pautas. Jogo um pouco de paciência. Xingo no Twitter. Ameaço o editor com algumas fotos que eu tirei dele lá no DER-GO. Agora ele está todo empolgado em publicar minha matéria. Vão publicar no jornal de amanhã. Já são cinco horas. Vou para casa. Ligo para meu filho. Que desgraça! O moleque agora quer que eu o leve para o DER-GO. Não devia ter falado da matéria com ele. A minha ex vai me matar se ele aparecer no trabalho dela. Sou um otário, ela só queria meu dinheiro. Puta desgraçada.

Durmo cedo, quero ser o primeiro a ler o jornal de amanhã. Acordo. Vou para a banca, o vendedor está irritado. Não sei por quê. Minha reportagem ficou em destaque. “Reportagem Especial”. Muito bem, Seu editor! Está logo após o caderno dedicado às donas de casa e antes do de esportes. Gostei. Ficou bem estratégico. Fico em casa. Meio-dia. Está na hora. Ligo a televisão, todos os jornais estão comentando minha reportagem. Mostram até pessoas nas ruas protestando.

Parece que o meu jornal: “Correio Universal do Reino de Deus” está vendendo mais que água. Opa, estão me ligando. Convite para participar do Hoje em Dia. Programa do Jô. Altas Horas. Estão me chamando para ser VJ da MTV! Hum, que beleza! Agora tenho status. Tenho que escrever um livro. Gregory Morgan não soa muito bem. Meu nome artístico vai ser Gregory Surfistinha! Quem sabe até eu consiga um convite para participar de A Fazenda. Seria o mínimo de gratidão que os donos do jornal poderiam ter por mim afinal. Rumo ao sucesso.

sábado, 23 de outubro de 2010

Sinto





Vivo sentindo a falta do sentir.
Parece sem sentido.
Talvez por que não tenha.

Sinto muito.
Tristeza?
Dor?
Alegria?
Sinto por não os sentir.
Por não viver...

Sinto muito por isso.
Aquilo? Também.
Mas não por ti.
Por mim.

Por que não viver?
Por causa de ti?
Sem sentido mesmo...
Por isso agora vou esquecer
e começar a sentir.

Tristeza!
Dor!
Alegria!
Viver para sentir
e não sentir por viver.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Bolero

Eu fui sincero como não se pode ser
Contei-te meus segredos, meus medos
Busquei compreensão, perdi meu poder
Fiquei frágil, revelei meus sentimentos

Busquei a mesma confiança
Desesperado por sua aceitação
Almejando uma aliança
E recebi nada mais que educação

Um vinho barato, um Marlboro vermelho
Ajudam a esconder-me de mim mesmo
Mas a mascara e o rosto trocam de lugar
Quando vejo minha cara embriagada no espelho do banheiro

E hoje você chega e me chama
Impede-me de deixar seu labirinto
Seu olhar sempre distante sempre me engana
E acabo voltando sempre ao mesmo lugar

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Miguel


-->











Mais um dia começa na vida de Miguel. Miguel aqui, Miguel lá. Ele está em todo lugar. Ao sair da cama pela manhã e se olhar no espelho do banheiro, Miguel ainda não está bem acordado, na verdade ele continua acanhado. Só no caminho de casa rumo à faculdade que Miguel começa a despertar. Quando está fumando e tomando o primeiro cafezinho com os colegas, Miguel finalmente se manifesta. Com o olhar em direção ao nada ele conta sobre a caçada do fim de semana. Aquela que sempre dá frutos (pelo menos para ele). Miguel demonstra muito orgulho, acaba nem se preocupando com as caras incrédulas de seus amigos. Na verdade, isso o deixa mais que satisfeito, pois acredita que eles estão só espantados.

Depois, mais tarde, estão Miguel e seus amigos na sala de aula, muito interessados na palestra sobre os efeitos maléficos que o cigarro causa às pessoas que o consomem. Eventualmente sentem a necessidade de dar uma pausa para fumar. Miguel, estranhamente, dessa vez preferiu ficar em sala ouvindo a palestra inteira. Ao terminarem de fumar e comentar sobre instrumentos musicais e suas versatilidades melodiosas, os amigos de Miguel voltam à sala.

Eles chegam justamente no momento dos questionamentos. Miguel, que até então estava calado, se manifesta: “Bom, eu acho bem interessante quando você (palestrante) diz que o cigarro causa câncer de pulmão, porque câncer é muito ruim e sem pulmão a gente não consegue respirar! Também é muito interessante falar que ele mata! Concordo que pessoas que fumam não prejudicam só a si mesmas, como todos à sua volta. Fico muito irritado, diria até perturbado quando fumam perto de mim, porque eu odeio cigarro, nunca fumei na minha vida!”. Quando Miguel termina, o palestrante continua seu discurso de forma bem indiferente, mas Miguel não se importa, acredita que já conseguiu seu conceito A. Miguel se vira para um de seus colegas e fala: “Me arranja um cigarro, não agüento mais essa aula.”. Pega o cigarro e sai da sala.

Miguel odeia sua jornada de trabalho. Todas as tardes ele fica preso em seu escritório lembrando-se de Descartes. Trabalhando sua alma racional. Mais a noite, Miguel se encontra novamente com seus amigos de faculdade. Alguns deles estão com suas namoradas, outros com seus maços de cigarros e trocadilhos baratos. Miguel parece desconfortável. Estranhamente, nenhuma de suas estórias ele conta mais, pelo menos não da forma como queria, parece aflito, inseguro. Parece que Miguel prefere a companhia de um maço de cigarros. Parece que Miguel só pode ser Miguel longe do cozumel.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lembranças do Imortal


-->










Passam-se os anos e continuo só
Alego que prefiro
Mas na verdade é um martírio
Sofro por não arriscar
E não arrisco por medo de sofrer
Porque sei que vou amar
E sei que vou perder
Vivo na segurança de não viver
Sobrando então e somente
A única prova de minha humanidade esquecida
O sentimento de não ter sentimentos
E assim
Continuo vivendo sem viver...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mundo Mudando Você - Você Mudando Mundo

E você que tem ideias tão modernas? É aquele mesmo homem que vivia nas cavernas. O que aconteceu meu caro? Percebeu que viver sem viver é não viver? Pois é meu amigo, parabéns, agora está pronto para enfrentar o mundo da melhor forma. Agora, você consegue enxergar todas as possibilidades, os caminhos que pode traçar nesta infinita highway, que vai alem das experiências físicas e adentra o universo desconhecido de nós mesmos, nossa mente.

E a sua mente funciona a mil desde sempre,
ideias que não se adequam ao que vemos hoje. Isso sempre foi um transtorno e não sabendo o caminho para expor seus pensamentos sem ofender as pessoas e o mundo ao seu redor, você tentou convencer mostrando-se capaz e eficiente em suas tarefas, todas que fossem designadas, achou que assim teria credibilidade. Não conseguiu a tão desejada credibilidade, pois na busca por ser eficiente, na busca da perfeição, você ficou frio e preocupado, afastou a todos que tinham interesse pelos seus pensamentos e também os que tentavam se aproximar. Com estas ações, meu amigo, você levou aos seus relacionamentos sociais um comportamento e atitudes totalmente fora dos padrões. Apesar de perceber o que acontecia, você não tinha maturidade ou interesse para mudar. Por isso eu afirmo que se soubesse antes o que sabe agora, você erraria tudo exatamente igual, por isso, não se sinta mal nem se irrite com o que você era ou com o que eu digo.

Você buscava agir de forma singular. Buscava ir contra o que não concordava e achava falso, quebrava regras de comportamento na forma de agir em sociedade, de tratar as pessoas. Talvez achasse interessante a
reação de cada uma delas, forçá-las até o limite para que mostrassem seus verdadeiros rostos. Hoje você percebe que não há porque fazer isso, todos nós possuímos nossas máscaras e é saudável usar elas para se adequar a cada lugar ou situação em busca de uma certa civilidade. Claro que, como você é, sabe muito bem que essas máscaras somente nos adequam a sociedade, mas não nos definem nem nos transformam. Podemos e devemos deixar-nos expostos, mostrar o que pensamos. Difícil é saber a hora de tomarmos essa atitude, pois é na hora que tudo está exposto que a mascara e o rosto trocam de lugar e é nessa hora, que podemos ofender e machucar quem amamos, mas também é nessa hora que podemos fazer a diferença.

Sim, eu sei que está assustado, talvez até chateado, por eu perceber tanto em você, mas não se preocupe, só consigo enxergar nos outros o que possuo em mim mesmo. Eu
compartilho de sua ânsia por ser diferente, por agir diferente, e passei por estas mesmas situações durante a minha vida. Não se preocupe. você aprendeu com a vida e, assim como eu, vai achar seu caminho. Você agora está bem, consegue ser feliz e se entregar aos desafios e às suas vontades, sem medo das conseqüências. Relaxe, junte seus amigos e sua companheira, aqueles que te aceitam como é e que acompanharam suas mudanças. Junte-os e vá em frente, se adapte ao mundo em que nasceu, mas não perca o amor às causas perdidas porque com calma e delicadeza você poderá convencer quem quiser dos seus conceitos e formas de ver o mundo. E talvez, um dia, ninguém necessite mais de máscaras. Só vale a pena ir em frente, meu amigo, se for por amor às causas perdidas. Por amor às causas perdidas.