As drogas da democracia? O preconceito, a hipocrisia, o egoísmo do ser humano. Existem muitas drogas ilícitas e lícitas, o que faz das lícitas menos prejudiciais é somente o fato de serem aceitas. Hipócrita é aquele senhor que enche a cara depois do serviço para fugir dos problemas do cotidiano, mas ao mesmo tempo condena o outro que faz o mesmo fumando maconha. Diz que quem fuma maconha, fuma para fugir da realidade, mascarar os problemas, mas no fim esse é o motivo que ele tem para beber. Bebe para descontrair, desinibir, para relaxar. Fuma para descontrair, desinibir, para relaxar. Qual a diferença? Uma é lícita, outra ilícita.
Esse julgamento pessoal é influencia de uma realidade hoje incontrolável, o crime organizado é movimentado pelas drogas ilícitas, o desenvolvimento comercial das drogas é enorme, sendo o carro chefe deste comércio a maconha. Como controlar isso? Legalizando. Permitindo às pessoas poderem utilizar-se desta droga da mesma forma como utilizam o cigarro e a cerveja. Legalizando, o controle sobre o comércio e os usuários será muito mais fácil, o dinheiro do comércio não irá para o crime, mas sim para campanhas educacionais como por exemplo é feito com o cigarro, o que por sinal tem funcionado e muito no combate ao fumo.
Claro que este tipo de liberação tem que ser feita aos poucos e de uma forma controlada, libere primeiramente o consumo em casa e a comercialização de uma forma restrita e controlada, depois se pode criar áreas de convivência direcionadas a essas pessoas, de uma forma que haja respeito com a opção das outras pessoas de não consumir estes produtos, assim como deveria ser feito, e está sendo agora, com o cigarro.
Podem dizer que liberar a maconha é um passo para a liberação da cocaína, heroína, crack e outras, mas estas drogas estão em outro patamar, elas, em pouca quantidade, causam efeitos alucinógenos rápidos, agressivos e nocivos, tanto física como emocionalmente na maioria absoluta que consome. Ao contrario da maconha e o álcool, aonde a maioria absoluta não desenvolve uma dependência e, em níveis razoáveis, a mantém-se o controle emocional, Claro que os excessos existem, mas no caso das drogas “pesadas” o mínimo já é um excesso.
A maconha é o principal produto comercializado pelo crime organizado, e a grande maioria dos que passam para as drogas pesadas passaram pela maconha, assim como passaram pelo álcool e o cigarro, mas a grande maioria dos que consomem maconha nunca experimentou estas drogas e partiu para dependência.
Liberar o consumo da maconha é um passo na luta contra o crime organizado, utilizando todo o potencial econômico deste produto e, ao mesmo tempo um passo na luta pela conscientização da população sobre os efeitos deste produto. Porque traz a tona um debate mais aberto e com mais informações, muito alem de “não fume porque é ilegal” ou “não fume porque faz mal”, pois hoje, estes são os argumentos utilizados até mesmo na mídia para impedir o consumo. Devemos prosseguir como está sendo feito e com muito sucesso com o cigarro, conscientizando os usuários com campanhas publicitárias e ações públicas com o dinheiro dos impostos pagos pelas próprias pessoas que lucram com este comércio.